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Coletânia Blog

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Pallium

Ela mudou. Quando chego em casa, após um longo dia de trabalho, já não vem até a porta para me receber, com suas patinhas sapateantes e lambidas eufóricas. Ela já nem me ouve chegar… Ela mudou. Já não tem forças para saltar de um sofá para o outro ou descer da cama com agilidade, como antes fazia. Ela mudou. Sua energia diminuiu e, agora, na maior parte do tempo, ela dorme em algum cantinho, sobre o piso gelado. Ela está diferente. Já não nos surpreende com algum brinquedinho

Frutos

Às vezes, penso na sorte das filhas que foram chamadas de "princesas" quando pequenas. Não porque usavam vestidos rodados ou coroas de brinquedo, mas porque um pai lhes ensinou, todos os dias, que eram dignas de amor. Foram protegidas. Ouvidas. Incentivadas. Quando caíam, havia uma mão estendida. Quando sonhavam, havia alguém dizendo: "Vai." E há as outras. As que aprenderam cedo que amor e sustento não são sinônimos. Que uma mesa posta não substitui um abraço. Que pagar as c

Pepinos, abacaxis e calcinhas

Conversando recentemente com uma amiga, dentre os tantos tópicos que uma conversa tipicamente feminina pode render, chegamos ao ponto de falar sobre homens e relacionamentos. A conversa, de tão produtiva que foi, me fez refletir sobre algo que nunca havia pensado, ou notado, antes: qual tinha sido a maior demonstração de amor que um homem já fez por mim. Ao longo da vida, já fui presenteada com o que normalmente toda mulher é: flores, chocolates, roupas, joias… Já ouvi “eu t

SAFRA 89

Mais de uma vez compararam-me a um vinho que só melhora com o tempo. E minha vaidade confessa: eu gosto da comparação. Não apenas por ser uma apreciadora da bebida - uma das poucas que realmente gosto - mas também por concordar com a comparação. Vaidades à parte - ou talvez nem tanto - a cada ano, considero que estou melhor: fisicamente, esteticamente, intelectualmente, espiritualmente… em parte, isso se deve ao fato de buscar o amadurecimento em todas essas áreas. Normalmen

Um ano novo, uma nova palavra

Escolhi uma palavra para guiar meu ano de 2025: disciplina . E, de fato, ela guiou. Guiou meus todos os projetos pessoais, pois nenhum deles seria alcançado sem ela. Disciplina nada mais é que fazer o que precisa fazer , independentemente de qualquer coisa . Qualquer coisa? Sim, qualquer coisa : de ânimo, de motivação, de clima bom, de horário, de melhor circunstância, de melhor ferramenta… independentemente . Nos projetos principais, apliquei a disciplina da melhor forma

Cardume II

… e voltara a bater. Pelo que recordava, já havia sido amada algumas — poucas — vezes. Ao menos era o que acreditava. Mas havia conhecido o amor, de fato, com ele . Viu a materialização daquilo que vinha aprendendo sobre o amor, sobre amar… que não exige reciprocidade, é generoso, cuidadoso, que afirma: “Quero que seus problemas sejam meus problemas…” e isso, sem dúvida, fora a primeira de várias provas de que ele verdadeiramente a amava. Todos querem compartilhar as felicid

Docente

Nunca amei lecionar (e continuo não amando). Não sou vocacionada para esta profissão. Aliás, contrariando o que muitos pensam - pelo desempenho que observam - nunca sequer imaginei que seria professora: tímida, calada, insegura… imagina ter que estar à frente de uma sala de aula! Não, nunca imaginei. A “vida” me colocou aqui e mesmo sem o pensamento consciente de ter que ser, sempre fui responsável e comprometida com o trabalho e isso certamente ajudou nessa caminhada. Comece

Cardume I

Se conheciam há mais anos do que ela conseguia lembrar. Sempre tivera por ele admiração profissional. Nada mais, no entanto, por um bom tempo . Por muitos anos, a relação era profissional e a admiração - mútua - era profissional. Contudo, após algum tempo, começou a perceber que a gentileza dele era diferente com ela. Percebia o modo como ele pronunciava seu nome. Percebia que, cada vez mais, um sutil interesse, dele por ela, era manifestado. Além da admiração, começou a exi

O fio

Ela sentou-se na beira da cama, os pés descalços encostavam no piso gelado. Não se importava com aquilo. Olhava fixamente para um grande...

(extra) Ordinário

Há quem fuja da rotina como se dela emanasse o tédio, o vazio, o lento afundar da alma. Mas eu — talvez por ofício íntimo, talvez por...

Por que (não) eu?

Sempre me vi como uma pessoa sem sorte. Daquele tipo bem clichê de sorte, sabe? De achar dinheiro grande no bolso de uma calça que ia...

Pausa forçada

Em um momento você está bem, no auge da produtividade na vida normal de adulto, resolvendo compromissos e dando um check em todas as...

O dia ímpar

Março sempre fora um mês complicado para meus pais: início de ano, os clientes endividados pelas festas de fim de ano atrasando os...

Amor

Há algumas semanas, eu li aquilo que considero uma das mais lindas, e precisas, definições de amor : “ É uma disposição quase...

Altântico

Seus olhos não tinham a cor do oceano. Eram de um âmbar cristalino. Perseguiram-me sutilmente pelos saguões. Será possível grandes...

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