Ah, setembro…
Agosto, de um par de anos para cá, passou a ser um mês de desgosto (com perdão do trocadilho) e neste ano ele manteve sua fama.
Quando setembro chegou ao fim, fiquei pensando como foi um setembro diferente dos outros já vividos.
Ele abandonou o status de “mês qualquer” e passou a ter o de “não foi um setembro qualquer”.
Afirmo isso porque, logo no primeiro dia dele, sofri uma perda que passou a ser uma das mais dolorosas que já vivi até o momento - e queria que tudo tivesse acontecido em agosto, talvez para manter a “tradição”.
Não falo isso com carga dramática ou vitimismo. Afinal, também sou consciente que não estamos imunes a qualquer sofrimento - e que não seria uma injustiça passar por eles.
A verdade é que esperava que ela fosse ficar comigo por muito tempo, eu imaginava ela brincando no jardim da casa que eu tinha sonhado para nós. Podia vê-la ir correndo buscar uma bolinha barulhenta para ser jogada incessantemente, até cansar e deitar no chão frio.
Dos muitos sonhos que projetei para minha vida, ela fazia parte de todos eles…
Um futuro idealizado que não será vivido.
Também é verdade que os meses de incertezas e angústias, e noites de sono perdidas serviram para mostrar algumas coisas: o que podemos fazer diante das dificuldades (que sempre virão), quem está conosco nas noites em claro, o quanto somos impotentes diante de certas circunstâncias, como devemos ser fortes para alguém que precisa mais de nós - ainda que nós mesmos não tenhamos tanta força assim.
Não é dos piores sofrimentos, mas sei que preciso de mais tempo para permitir que ele vá embora em definitivo.
E, curiosamente, Deus lembrou-me que sempre podemos tirar algo bom do sofrimento. E, numa proporção maior em relação à vida que foi levada Ele trouxe novas.
Definitivamente não foi um setembro qualquer.

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