Pallium
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Atualizado: há 1 hora
Ela mudou.
Quando chego em casa, após um longo dia de trabalho, já não vem até a porta para me receber, com suas patinhas sapateantes e lambidas eufóricas. Ela já nem me ouve chegar…
Ela mudou.
Já não tem forças para saltar de um sofá para o outro ou descer da cama com agilidade, como antes fazia.
Ela mudou.
Sua energia diminuiu e, agora, na maior parte do tempo, ela dorme em algum cantinho, sobre o piso gelado.
Ela está diferente.
Já não nos surpreende com algum brinquedinho barulhento — que cuidadosamente escolhia dentre as dezenas que acumula — para, após jogá-lo aos nossos pés, brincar conosco.
Ela está diferente.
Sua velocidade já não é a mesma. Sua respiração está mais lenta e mais barulhenta. Agora me fita apenas com um olho e, às vezes, sinto que me pede algo.
Algo que eu não posso lhe dar….
Ela já não pula em meus braços e me "afoga" com lambidas. Nem desconta sua raiva em minhas meias suadas. Ou fica, com seus olhos redondinhos, suplicando um pedacinho — "só um belisquinho" — do que quer que eu esteja comendo.
A dor era pelo desconhecido. Por não saber, dentre as infinitas possibilidades o que era.
Hoje, dentre as tantas possibildades, sabemos a pior de todas...
Paliativo significa algo que traz alívio temporário, abranda um problema ou adia uma dificuldade, sem, de fato, resolver a causa principal.
Entendo que há batalhas que já não podem ser vencidas. E que, quando a cura deixa de ser possível, ainda resta oferecer conforto, dignidade e amor.
Muito amor.
Dar a melhor vida possível em sua condição atual.
Nunca fiquei tão aflita por não conseguir ajudá-la. Impotente. Insignificante frente a uma batalha.
Apaguei fotos e vídeos de seu período mais crítico de saúde.
Apaguei as imagens do seu sofrimento. Não quero que ela seja lembrada por mim assim.
Ela entrou em minha vida há oito anos.
Trouxe felicidade. Acrescentou cor para em meus dias!
E é assim que ela sempre será lembrada.

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