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Cardume II

  • Foto do escritor: Linda Queiroz
    Linda Queiroz
  • 31 de dez. de 2025
  • 2 min de leitura

… e voltara a bater.


Pelo que recordava, já havia sido amada algumas — poucas — vezes. Ao menos era o que acreditava. Mas havia conhecido o amor, de fato, com ele.


Viu a materialização daquilo que vinha aprendendo sobre o amor, sobre amar… que não exige reciprocidade, é generoso, cuidadoso, que afirma: “Quero que seus problemas sejam meus problemas…” e isso, sem dúvida, fora a primeira de várias provas de que ele verdadeiramente a amava. Todos querem compartilhar as felicidades, mas quantos querem — também — as dores? Um homem que não deixava dúvidas, que não titubeava, que falava e apresentava ações coerentes com o que afirmava. Dava-lhe segurança e certeza.

Havia verdade e firmeza no que dissera, e aquilo não a assustou. Aquilo, no entanto, entristeceu-a: sabia, desde o início, que não poderia entregar-se. Sabia que não poderia abrir seu coração e, com reciprocidade, amá-lo. Gostaria muito, mas não deveria.

O que deveria ter feito, desde logo, seria não ter permitido a possibilidade do primeiro beijo acontecer. Aconteceu.

Não deveria porque sabia que existiam vários “perigos” naquela relação. Não o perigo do sofrimento por alguma atitude negativa ou desrespeito, mas, justamente, pelo oposto. De ambos se entregarem, se apaixonarem, se amarem… dois peixes nadando juntos em águas tranquilas…

Com uma natureza falha, havia uma certa vaidade e egoísmo que a levaram a dizer o primeiro "sim". Quis fazer um experimento. “Como será…?”

Soube como era. E viu que era muito melhor do que imaginara.

Porém, não esperava intensidade nos sentimentos, e tão rapidamente manifestados por ele. Não esperava um coração entregue em tão pouco tempo. Imaginou que teria tempo de lhe mostrar todas as suas imperfeições, defeitos irremediáveis, vícios, para que ele desistisse.

Ele conheceu suas imperfeições e queria conviver com elas.

Com a cabeça recostada em seu colo, ela acariciava seus cabelos finos, alguns já grisalhos. Ele, então, disparava declarações de um amor profundo. “Como?! Em tão pouco tempo…”, perguntou-lhe, aflita. Ele era firme no que sentia: afirmava e reafirmava, sempre que possível, que aquele sentimento já existia, e viu que precisava apenas de uma faísca para que o incêndio ocorresse. Para que tudo viesse à tona. 

O que era platônico deixou de ser. Teve seu momento para materialização. Em sua defesa, afirmava que não imaginava que seria assim.

Com alguma dor — seja na consciência, seja no seu próprio coração — decidiu que deveria chegar ao fim.

Curiosamente, ele sabia que aquilo uma hora iria acontecer. Mas não se importava. Queria ser feliz pelo máximo de tempo que pudesse. Ele não se importava em apenas amar, sem ser amado de volta.

Mas também, como bem a conhecia, ela não seria capaz de permitir isso.

E assim foi.

Como na imagem representativa de peixes, eles foram obrigados a seguir, a partir dali, em correntezas opostas.

 
 
 

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