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Frutos

25 de jul.
1 min de leitura

Às vezes, penso na sorte das filhas que foram chamadas de "princesas" quando pequenas. Não porque usavam vestidos rodados ou coroas de brinquedo, mas porque um pai lhes ensinou, todos os dias, que eram dignas de amor. Foram protegidas. Ouvidas. Incentivadas. Quando caíam, havia uma mão estendida. Quando sonhavam, havia alguém dizendo: "Vai."


E há as outras.


As que aprenderam cedo que amor e sustento não são sinônimos. Que uma mesa posta não substitui um abraço. Que pagar as contas não ensina uma menina a reconhecer o próprio valor. Há pais que oferecem o necessário para viver e acreditam, sinceramente, que ofereceram tudo.


Ela precisa saber que pode voltar para casa quando o mundo lhe partir o coração. Precisa ouvir que é capaz quando ela mesma duvidar. Precisa sentir que existe um lugar que será seu "porto seguro", onde é acolhida e não condenada.

A menina cresce.


E aprende a não pedir colo, nem ajuda. Aprende a resolver tudo sozinha. Aprende a fingir que não doeu. Porque entende que a dor de superar a ausência é menor do que a dor de perceber que aquele que um dia teve o dever de cuidar hoje encara como um fardo a necessidade de ser um suporte.


Há ausências que atravessam os anos em silêncio e continuam ocupando espaço dentro da gente.






 
 
 

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