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SAFRA 89

  • há 24 horas
  • 1 min de leitura

Mais de uma vez compararam-me a um vinho que só melhora com o tempo. E minha vaidade confessa: eu gosto da comparação. Não apenas por ser uma apreciadora da bebida - uma das poucas que realmente gosto - mas também por concordar com a comparação. Vaidades à parte - ou talvez nem tanto - a cada ano, considero que estou melhor: fisicamente, esteticamente, intelectualmente, espiritualmente… em parte, isso se deve ao fato de buscar o amadurecimento em todas essas áreas. 

Normalmente, no dia do meu aniversário, sou tomada por uma grande melancolia. Um excesso de pensamentos e reflexões fazem parte deste dia. E, por mais que seja muito rígida comigo mesma nas autoavaliações, tenho que admitir que conquistei muita coisa: do material ao intangível

Hoje foi um dia formidável, ainda que com alguma melancolia. Com muito amor - daqueles que mais me amam - chegando até mim. 

Talvez seja assim mesmo que a vida se apresente quando amadurece dentro de nós: com alegria e um leve tom de saudade misturados. 

Cada ano vivido deixa em mim camadas de sentido, aprendizado e graça. Trago comigo as marcas das escolhas, das tristezas, das conquistas e dos afetos que me moldaram. E, mesmo quando a melancolia visita discretamente este dia, ela não diminui minha gratidão a Deus pela vida. 

Pelo contrário, lembra-me de que viver profundamente também significa sentir profundamente. Assim sigo, deixando que o tempo faça em mim o que faz com um bom vinho: revelar, pouco a pouco, o melhor que existe em mim.


 
 
 

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